Estou para escrever essa crítica faz tempo e na verdade é apenas uma observação e elogio ao trabalho que mais me chamou atenção até agora na novela “Fina Estampa”: o Baltazar de Alexandre Nero.
Apesar de todas as críticas pessoais que tenho a “Fina Estampa” (e sou um grande fã do Aguinaldo Silva, que escreveu algumas das minhas novelas favoritas como Tieta, A Indomada e Senhora do Destino) e entenda que qualquer argumento contrário à novela também seja muito relativo – já que ela é um sucesso de audiência e o próprio Aguinaldo já repetiu num bate-papo “Quem manda na novela é o púbico”, eu fiquei pensando…
…Com todo o seu carisma, Alexandre Nero conseguiu “dobrar” um personagem que, na mão de muitos outros atores, a esta altura da novela seria odiado pelo público e só vislumbraria um fim possível: ser morto ou ser preso. E não que isso fosse ruim. Inclusive, a ficção já nos deixou outros Baltazares inesquecíveis e que tiveram finais trágicos: Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos) que batia em Tonha (Yoná Magalhães) em “Tieta” e Ralf (Oscar Magrini) que batia em Leila (Silvia Pfeifer) em “O Rei do Gado”.
Como exemplo mais recente, cito o ótimo trabalho de Jackson Antunes em “A Favorita”, que batia na sua mulher (por coincidência, personagem da Lilia Cabral) e que foi detestado. Claro que, devidas as proporções, a pegada de “A Favorita” era muito mais pesada, mas eu tenho a sensação que o Aguinaldo Silva também queria este clima tenso (e embora, claro, muitas das cenas dele com Dira Paes tenham sido sim, tensas), Alexandre Nero tornou seu Baltazar – apesar de toda a truculência – um personagem adorado.
Digo isso porque lembro também do José Clementino de Tony Ramos em “Torre de Babel”, escrita por Silvio de Abreu. Logo no primeiro capítulo, Clementino mata a mulher com uma paulada, fica anos preso e ao ser libertado decide explodir o shopping do cara que o acusou (Tarcísio Meira). Só que o público simplesmente não aceitou ver o Tony Ramos como um vilão, o carisma dele foi mais forte e… Conclusão: ao longo de “Torre de Babel”, Tony Ramos se transformou em mocinho.
E é esse fenômeno que parece acontecer agora em “Fina Estampa”.
Acredito que também contribuiu para amaciar o Baltazar o núcleo que o personagem frequenta, em especial o jogo com o Crô (Marcelo Serrado), que acabou ajudando a criar simpatia. Mas pensem comigo: Crô é, sem dúvida, o personagem mais querido da novela. Daí vem um machão que bate na mulher, atormenta a vida da filha, agride verbalmente o gay o tempo inteiro e o público não quer a cabeça do personagem?! Pelo contrário, torce para ele terminar junto do viadinho?! Isso é culpa sua, Alexandre Nero, que encontrou alguma doçura no brutamontes!
Só mesmo com dois atores como ele e Marcelo Serrado que isso poderia acontecer. Assim, com toda a sabedoria de seu talento e os anos de experiência, Aguinaldo Silva tem explorado uma brecha legal para alfinetar os machões e covardes reprimidos em seus desejos e que por isso devolvem com violência qualquer coisa que lhes fuja de seus padrões e moralismos.
Pode ser que eu esteja equivocado em supor que a relação Baltazar/Crô não estivesse prevista na sinopse desde o início… e isso talvez este seja um segredo de bastidor que só os atores e o autor possam nos revelar… mas eu desconfio que não! E se não estava, parabéns ao Aguinaldo Silva em perceber e mudar a rota com tanta esperteza.
Se eu não me engano também, Alexandre Nero uma vez comentou que o Baltazar não é engraçado e que talvez a situação em si é que nos dê essa impressão, mas eu insisto: fosse um ator que não tivesse a sutileza e sensibilidade com o humor, qualquer possiblidade de parceria entre o gay e o machão já teriam ido pelo espaço.
Indepedente de tudo, e ontem foi o dia do comediante, resolvi escrever esta crítica como uma homenagem a quem empresta humor aos seus personagens, mesmo quando essa abertura parece improvável. E isso, de forma alguma, “alivia” os pecados de Baltazar nem deve ser visto como pretexto para mais violência e impunidade. Mas dentro de uma figura que poderia estar focada apenas dentro desse tema violento, foi com a comédia que Alexandre Nero conseguiu revelar uma outra camada escondida dentro da personalidade de seu “vilão”.
Não será através da morte nem de nenhum outro castigo que Baltazar vai se salvar. Foi com o humor que Alexandre Nero redimiu o seu personagem e surpreendeu o público.
Fotos/fonte: Rede Globo e Contigo!
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postado em 27/02/2012 às 9:00 am |
Caroços |
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Breves observações.
Sobre O Artista: ganhar um Oscar já é um luxo. Agradecer em francês então.
Eles são engraçados… querem escolher melhor direção, melhor música, fotografia e tal. Mas a cerimônia do Oscar em si tem um roteiro péssimo, uma trilha cafona, uma direção relaxada, o cenário sem inventividade, os figurinos previsíveis… que ironia, não? As vinhetas musicais, por exemplo, pareciam ter vindo diretamente do filme Emanuelle.
Eu acho muito poder o Woody Allen não ir ao prêmio.
Cagaram para a indicação do Carlinhos Brown, né? E aposto que se tivessem mais brasileiros lá, ainda seriam capazes de jogar latinhas de cerveja se ele ganhasse. O preconceito é com a música, com ele ou com a Bahia?
Podem querer me apedrejar feito a Geni, mas eu acho bem injusto que Harry Potter não esteja concorrendo em nenhuma das categorias principais como filme, direção, atores, etc. O Oscar é uma festa comercial, aí vem um filme de entretenimento de sucesso estrondoso, com atores maravilhosos, direção ao longo dos filmes cada vez mais caprichada, etc, etc… e Hollywood simplesmente ignora para fazer a linha “arte”. Não defendo que ele ganhasse nenhuma das estatuetas, mas as indicações deveriam ter rolado por uma questão de reconhecimento e honra ao mérito. Como não indicar ao Oscar Alan Rickman como ator coadjuvante por seu Severo Snape?
E, por fim, Meryl Streep foi vestida como a própria estatueta do Oscar, né?
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Oscar
postado em 06/02/2012 às 12:39 pm |
Edital |
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O Ministério da Cultura lançou no final do ano passado 5 linhas de apoio para o fomento ao audiovisual, dentre as quais, uma delas me interessou em especial EDITAL DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DE ROTEIROS CINEMATOGRÁFICOS, INÉDITOS, DE FICÇÃO, PARA ROTEIRISTAS ESTREANTES onde, esclarece o edital,
ROTEIRISTA ESTREANTE é a pessoa física, autor da obra literária, adaptada ou não, a ser utilizada na produção de filme de longa metragem ficcional, que nunca teve um roteiro de longa metragem de sua autoria filmado, e exibido em circuito comercial ou em mostras e festivais cinematográficos e/ou canais de televisão;
O edital é muito interessante e uma excelente oportunidade/incentivo para novos roteiristas e tudo me pareceu muito claro, exceto um item que tem causado polêmica e inúmeras dúvidas em outros roteiristas também (cheguei a ler uma matéria no Globo sobre isso):
8. DO APOIO
8.1 O recurso financeiro concedido será depositado em conta corrente, sob a titularidade do selecionado, aberta pela SAv/MinC, conforme Autorização paraGestão de Conta Corrente Vinculada e de Movimento.
8.2 Serão apoiados até 10 (dez) projetos, com valor individual de R$ 31.250,00 (trinta e um mil e duzentos e cinquenta reais), sendo R$ R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) referentes ao apoio do MinC e R$ 6.250,00 (seis mil e duzentos e cinquenta reais), contrapartida do concorrente.
8.2.1 A contrapartida poderá ser oferecida em recursos financeiros ou em bens e serviços economicamente mensuráveis, visando a atender ao disposto no art. 12 do Decreto nº. 5.761/2006.
8.3 A liberação se dará da seguinte forma:
a) R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para o inicio dos trabalhos;
b) R$ 10.000,00 (dez mil reais), após a apresentação, em 1 (uma) via, do roteiro desenvolvido em segundo tratamento e cópia do Certificado de Registro do Roteiro emitido pela Fundação Biblioteca Nacional – FBN (Não será aceito protocolo).
8.4 Haverá a incidência dos descontos legais no valor do apoio referido no subitem 8.2, nos termos da Lei de Imposto de Renda das Pessoas Físicas – Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e suas respectivas alterações.
A minha questão é: o que vem a ser CONTRAPARTIDA? Eles não pedem orçamento, pedem apenas essa Contrapartida de 6 mil. Ou seja, só vejo duas saídas: ou a pessoa recebe 25 mil e devolve 6 para o governo (rs) ou recebe 25 mil para escrever e depois tem que trabalhar de contra-regra durante as gravações para devolver a grana em serviços…
Estou louco?
Já tentei esclarecer essa dúvida com amigos produtores e todos estão em dúvida também. Acabei de mandar um e-mail para a coordenação do edital tentando entender melhor essa exigência, vamos ver se me respondem e compartilharei aqui. Lembrando que as inscrições estão abertas até o dia 10 de fevereiro e o link é aqui.
Esclarecimento do Minc!
Prezado,
A contrapartida é o recurso correspondente ao percentual de 20% referente à obrigação do proponente selecionado no edital que deverá ser descrita no ato da inscrição no campo específico “dados gerais” do sistema online. Tal contrapartida deverá ser identificada, podendo ser oferecida em recursos financeiros depositados na conta do projeto ou em bens e serviços economicamente mensuráveis que sejam utilizados na execução do projeto. Caso seja financeira, o valor deverá ser depositado na conta do projeto após este ter sido selecionado.
Exemplos hipotéticos no caso de a contrapartida ser em bens e serviços: a digitação do roteiro, a revisão gramatical, a tradução do roteiro, a participação em cursos relativos a temática, apresentação comprovada do roteiro a professores, críticos e profissionais de notório saber da área, pesquisas, etc.
A comprovação da contrapartida será feita através de recibos emitidos por membros da equipe técnica ou empresas fornecedoras de serviços. No recibo devem constar: o valor de mercado do respectivo serviço, sua descrição e a assinatura do emitente.
Quando o projeto é selecionado, é aberta uma conta na qual serão depositadas as parcelas para a realização desse projeto. Nessa conta também deverá ser depositado o valor da contrapartida, no caso de ser financeira.
A contrapartida será devolvida proporcionalmente em conformidade com a liberação das parcelas pela SAv.
Fica a critério do roteirista definir em quais etapas do processo de desenvolvimento do roteiro será utilizada a contrapartida.
Atenciosamente,
Divisão de Editais
Secretaria do Audiovisual – MinC
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Roteirista estreante