Perfil
Esse é o meu diário e você tem que me amar.
Felipe Barenco cresceu cercado de livros, já que seu pai trabalhava na Editora Vozes, em Petrópolis, e quase toda semana trazia um livro novo para ele colorir. Por causa disso, queria aprender a ler logo e enquanto essa hora não chegava, criava suas próprias histórias interpretando os desenhos.
Com todo bom brasileiro, cresceu vendo novela e presenciou a chegada de Tieta em Santana do Agreste, viu o assassinato de Odete Roitman, brincou com os vampiros de Vamp e era apaixonado pela Natasha. Ainda tinha arrepios com os ataques do Cadeirudo e vibrava quando via o opala preto do serial killer de A próxima vítima estacionado na sua rua. Por isso tudo, descobriu o que queria ser quando crescesse: novelista.
Na oitava série dizia que queria ser astronauta. Foi orador na formatura, capitão de bandeira, representante de turma e mestre de cerimônias no terceiro ano. Tudo porque era comunicativo como a galera do teatro. Enquanto não decidia para qual curso prestar Vestibular, fez uma espécie de mestrado em teatro assistindo e gravando todos os 6 anos de “Sai de baixo” na Rede Globo. Quando o programa acabou, em 31 de março de 2002, decidiu que ia fazer teatro para não ficar órfão. Sua experiência com teatro, até então, era dirigir os próprios amigos em peças que ele inventava inspirado pelo programa humorístico.
Entrou para o curso de direção teatral da UFRJ e no meio de um monte de gente que se dizia cult, descobriu que gostava mesmo era do humor de Mauro Rasi e dirigiu sua primeira peça, ”A mente capta”. Para pagar os estudos no Rio, arrumou um estágio como webdesigner no curso de Economia da UFRJ, já que anos antes havia aprendido com seu pai a fazer sites para criar um em homenagem ao “Sai de baixo”.
Dividindo apartamento com outros 7 caras em Copacabana, lançou um blog-novela em julho de 2003 intitulado “Edifício 256″. O “dois-cinco-meia” do título vem do número de seu prédio. A novelinha, primeira que utilizava os blogs como formato para escrever uma história de ficção, fez um sucesso estrondoso e recebeu indicações de melhor blog do ano nos principais sites especializados.
Diante da popularidade com a novela, descobriu que poderia trabalhar como escritor profissional. Começou a carreira de dramaturgo e teve sua primeira oportunidade escrevendo o espetáculo de formatura de sua amiga e diretora, Fernanda Areias, que tinha por base a fábula do excluído, O Patinho Feio, de Hans Cristian Andersen. Dessa primeira experiência nasceu “Confraria das Portas Amarelas”, em 2006.
Em seguida, organizou um evento na Universidade chamado “7 pecados”. Lá, reuniu 7 autores, 7 diretores e 7 atores. Cada autor sorteado com um pecado e a apresentação, uma por dia, sete dias da semana. O evento ferveu o curso e um ano depois inspirou a criação de seu site “Drama Diário”, no qual seis promissores dramaturgos se reuniram junto a ele numa proposta criativa: toda semana um tema, todo dia um dramaturgo escrevendo uma cena diferente. Tanta gente talentosa junto fez do “Drama Diário” um grande sucesso, recebendo ampla atenção da mídia e classe artística.
No final de 2007, quando teria que escolher qual texto se formar como diretor, optou por escrever sua própria peça. Aliando sua paixão pelas mulheres e as personagens femininas, escreveu “Amém”, sob a orientação de sua mestre Eleonora Fabião. Das três únicas apresentações na Faculdade, sua montagem foi vista pela diretora Joana Lebreiro, que meses depois procuraria um autor com a atriz Kelzy Ecard para escrever um espetáculo sobre uma fã de Chico Buarque.
No final de 2007 teve que voltar para Petrópolis. Mas conseguiu retornar ao Rio de Janeiro ao arrumar um trabalho numa empresa do centro da cidade onde criava jogos para projetos educacionais. Quando chegou o convite de Joana Lebreiro e não tinha como conciliar as duas coisas, pediu demissão do trabalho e arriscou: foi se dedicar exclusivamente ao espetáculo. Em 12 de fevereiro de 2009 estreou “Meu caro amigo”, seu espetáculo de estréia profissional, e a vida de Norma, a professora de História apaixonada por Chico Buarque, fez enorme sucesso com o público recebendo no final do mesmo ano o prêmio de circulação da BR Petrobrás. Estrear com um texto interpretado por Kelzy Ecard e dirigido por Joana foi uma benção dos deuses do teatro e um feliz encontro.
Quem sou eu?
Felipe Barenco por Felipe Barenco
Para os vanguardistas: um artista contemporâneo.
Para os moralistas: o bom moço que não bebe nem fuma.
Para os realistas: um sonhador.
Para os ateistas: um ex-católico que pensa em ser espírita.
Para os sensacionalistas: uma noiva suja de sangue.
Para os consumistas: um viciado em edições limitadas.
Para os surrealistas: um pato com dor de cabeça numa estrada verde limão. Ou Psyduck, do Pokémon.
Para os ecologistas: um homem que morre de medo de sapo.
Para os avalistas: um cidadão endividado.
Para os petistas: um eleitor decepcionado.
Para os pára-quedistas: um cagão que morre de medo de altura.
Para os novelistas: um jovem autor que só quer uma chance.
Para os romancistas: um dramaturgo que também quer ser literário.
Para os humoristas: um diretor de teatro enfeitiçado pela comédia.
Para os analistas: um geminiano confuso que tem uma idéia nova por dia.
Para os otimistas: um talento promissor.
Para os ritmistas: um mangueirense apaixonado.
Para os pessimistas: um inseguro que vez por outra tenta desistir de tudo.
Para os flamenguistas: um pó de arroz.
Para os saudosistas: um menino que queria ser astronauta.
Para os niilistas: um namorado fiel que ainda acredita no amor.
Para os helenistas: agora chega, né?




